Trabalhista20 out 2026  ·  09h00  ·  6 min

Fim da escala 6x1 aprovado no Congresso: cronograma e o que muda

O Senado aprovou, em 14 de outubro, a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1. A jornada semanal máxima cai de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial, em uma transição de cerca de 14 meses após a promulgação.

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Três cenas sobre o fim da escala 6x1: calendários mostrando a transição de 6x1 para 5x2 e 40 horas, a PEC 221/2019 com o cronograma de vigência e uma balança com cinco dias de trabalho e dois de descanso

Em 30 segundos

  • O Senado aprovou a PEC 221/2019 nos dois turnos em 14 de outubro de 2026, por 75 votos a 1. A Câmara já havia aprovado o texto em 27 de maio.
  • A jornada semanal máxima cai de 44 para 40 horas, com até oito horas por dia e dois dias de descanso por semana, sem redução salarial.
  • A transição tem duas etapas: 60 dias após a promulgação, escala 5x2 e 42 horas; doze meses depois, 40 horas.
  • A emenda segue para promulgação pelo Congresso, sem sanção presidencial. Setores com regime especial e micro e pequenas empresas dependem de regulamentação por lei.

O que a PEC determina

A emenda altera a regra constitucional da duração do trabalho. A jornada máxima semanal passa de 44 para 40 horas, com limite de oito horas diárias e possibilidade de compensação de horários e de redução por acordo ou convenção coletiva. O trabalhador passa a ter dois dias de repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.

O texto garante que não haverá redução salarial, nominal ou proporcional, inclusive para os pisos. A regra vale para os contratos em vigor, e as cláusulas de convenções e acordos coletivos incompatíveis com a emenda perdem a validade dois meses após a promulgação.

Antes

Jornada máxima de 44 horas semanais e oito diárias, com um repouso semanal remunerado, o que permitia a escala de seis dias de trabalho por um de folga.

Agora

Jornada máxima de 40 horas semanais, com dois dias de descanso por semana e sem redução salarial, aplicada aos contratos em vigor conforme o cronograma de transição.

Cronograma de vigência

Entre a aprovação na Câmara e a do Senado passaram cerca de quatro meses e meio. Daqui para frente, os prazos correm a partir da promulgação:

27 de maio de 2026

A Câmara dos Deputados aprova a PEC 221/2019 nos dois turnos: 472 a 22 no primeiro e 461 a 19 no segundo.

Setembro de 2026

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprova a PEC e a envia ao Plenário.

14 de outubro de 2026

O Senado aprova a PEC nos dois turnos na mesma noite, por 75 votos a 1. Um requerimento de calendário especial dispensou as sessões de discussão do segundo turno. O texto segue para promulgação, segundo a Agência Senado.

Promulgação

As Mesas da Câmara e do Senado promulgam a emenda. A imprensa noticiou a intenção de promulgar na terça, 20 de outubro. A data não consta da página oficial do Senado.

60 dias após a promulgação

Passam a valer a escala 5x2 e a jornada de 42 horas semanais. Cláusulas de convenções e acordos coletivos incompatíveis com a emenda perdem a validade.

12 meses depois da etapa anterior

A jornada semanal máxima chega a 40 horas, cerca de 14 meses após a promulgação.

Exceções e regimes diferenciados

As regras abaixo constam do texto aprovado pela Câmara, segundo a Agência Câmara.

Por que isso importa para o advogado

No trabalhista consultivo, o primeiro ponto é o prazo de 60 dias para a etapa inicial. Contratos, regulamentos internos, bancos de horas e acordos de compensação precisam ser revistos para a jornada de 42 horas e, depois, de 40 horas. Convenções e acordos coletivos com cláusulas incompatíveis perdem a validade nesse mesmo prazo, o que pede um levantamento dos instrumentos coletivos de cada cliente.

No contencioso, a jornada contratada acima do novo limite tende a gerar discussão sobre horas excedentes e sua compensação ou pagamento. As exceções por categoria, o regime das micro e pequenas empresas e as atividades de escala 12x36 dependem de leis ainda por vir, e é nesses pontos que as consultas devem se concentrar nos próximos meses. Esta é uma leitura prática do texto aprovado, e a aplicação ao caso concreto exige análise do texto promulgado.

Perguntas rápidas

O fim da escala 6x1 já está em vigor?

Ainda não. O Senado concluiu a votação da PEC 221/2019 em 14 de outubro de 2026 e a emenda aguarda a promulgação pelo Congresso Nacional. As novas regras passam a valer a partir da promulgação, nos prazos da transição.

Qual é o cronograma de vigência do fim da escala 6x1?

Sessenta dias após a promulgação, as empresas devem adotar a escala 5x2 e limitar a jornada a 42 horas semanais. Doze meses depois dessa etapa, a jornada semanal chega a 40 horas. A transição completa leva cerca de 14 meses.

A jornada menor pode vir com redução de salário?

Não. O texto garante que a redução da jornada ocorra sem redução salarial, e a regra vale para os contratos em vigor.

Servidores públicos e empregados de salário alto estão incluídos?

Servidores públicos não são abrangidos. Para empregados com diploma de curso superior que ganhem acima de 2,5 vezes o teto do RGPS (R$ 21.188,87, segundo o texto aprovado pela Câmara), as regras de duração e controle de jornada não se aplicam, salvo liberalidade do empregador ou previsão em acordo ou convenção coletiva.

Para guardar

O Congresso concluiu a votação do fim da escala 6x1 em 14 de outubro de 2026. Falta a promulgação. A partir dela, 60 dias para a escala 5x2 e 42 horas, e mais doze meses para as 40 horas, sem redução de salário. Os regimes especiais e as micro e pequenas empresas aguardam regulamentação por lei.

Fontes

Data da promulgação noticiada pela imprensa (terça, 20 de outubro) sem confirmação na página oficial do Senado até o fechamento deste texto, em 15 de outubro de 2026.

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